Ontem eu assisti a um dos seus filmes favoritos, e apesar de odiar ficção cientifica, chorei do inicio ao fim. Chorei quando Cooper disse adeus a Murphy, chorei quando ele tão fortemente prometeu voltar para casa mesmo sabendo que quando voltasse talvez sequer houvesse uma casa para voltar. Eu chorei porque não pela primeira vez percebi que as pessoas fazem promessas porque sabem que relações humanas são tão frágeis que podem acabar de uma hora para outra.
Senti raiva de você e do seu filme estúpido porque você nunca prometeu nada, só disse que se gostasse de mim de verdade seria o suficiente para te fazer voltar. E estou propositalmente evitando você desde então porque não sei que diabos isso significa.
Assistir interestelar me fez pensar sobre a imensidão do mundo, das pessoas e das coisas, e eu gostaria de acreditar que assim como Cooper nasci para fazer algo maior.
Você me disse que estar perto de mim te deixa mais sóbrio, e protegido e eu não entendi como a garota de 1,60 de altura que ainda tem medo de escuro e mal sabe o que fazer com si mesma pode ser capaz de mudar a vida de alguém dessa forma.
Faz quase um mês que comecei esse texto e ainda assim não consegui acabar. Eu apaguei e reescrevi pelo menos uma centena de palavras e nenhuma delas parecia se encaixar corretamente porque se existe uma coisa que aprendi com você é que é impossível ter total controle sobre algo, mesmo sobre algo tão frágil quanto às palavras. E tudo bem. Tudo bem porque ás vezes isso é tudo que precisamos para finalmente aceitar que o caos é algo bonito.
Nós somos bagunçados, mas nós somos belos a nossa maneira.

A imensidão me engole H. ela faz isso com você?

Parte minha inveja tua habilidade de ser alheio ao mundo, a outra apenas tenta entender como você consegue.

Você me perguntou uma vez porque nunca te mostrei as coisas que escrevo, e eu ergui a sobrancelha tentando soar indiferente. “Porque não”, respondi e desviei o assunto porque ser indiferente é tudo que não sei ser.
Meus textos são a parte mais honesta de mim e tenho medo do que cada palavra escrita nesse caderno surrado pode te revelar. Tenho medo que você leia tudo tão atentamente que entenda as minhas entrelinhas, e também tenho medo que você não seja capaz disso.


A imensidão me engole H., mas é do que sou feita. Ela também faz isso com você?

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